domingo, junho 24, 2007

em ano de centenário

e depois da noite mais pagã deste país - á beira mar plantado - falo, é claro, do S. João do Porto em que a noite se ilumina e o escuro céu se enche de brilhantes, efémeras e viajantes estrelas que seguimos com o olhar esperando não sabemos bem o quê, pois cada um o guarda bem no seu âmago, vi os céus ilumindos por luzes, fogo-fátuos, pirilampos de alta navegação e curso, sonhos luminosos viajando a noite e pensei que era altura de voltar ao meu BALÃOZINHO.
E com dignidade depois de tão longa ausência.
Por isso trago, e deixo, um breve apontamento sobre um grande escritor português, na voz de outro, seu par.
Na "voz" escrita de António Rebordão Navarro
"RESIDÊNCIA FIXA DO POETA MIGUEL TORGA"
Pode ser a morte com seus brutos,
seus bruscos movimentos,
seus podres girassóis,
os seus anéis de espelhos,
pálidos aos sábados.

Pode ser a morte,
derramando matinais fulgores
nas cicatrizes desses corpos
que perderam as asas.

Podem ser os crepúsculos
de poalhas douradas
no Parque da cidade
ou princípios de tardes,
porventura mais tristes,
que logo perderão as cores do hábito,
seus espaços concretos.

Pode ser a vida e os seus relógios
de sol e a lua, adolescentes ventos
com dentes como estrelas,
uma carruagem de combóio
e vultos diluídos nas paisagens passadas.

Podem ser os bichos que sem tempo
dispoem seus vestígios indeléveis
sobre a luz mais intensa
do mais puro diamante.

Pode ser a sombra, pode ser a terra
nascida do ventre.
Podem ser os homens
cobertos pela tinta da evidência.

Em qualquer dia
de qualquer calendário,
pode o poeta Miguel Torga
descer em vão aos céus,
sem sucesso ascender aos infernos.
Mora aqui

N.B - poema publicado na Colectânea "CÂNTICO EM HONRA DE MIGUEL TORGA", pela Editora,"Fora do texto". Coimbra:1996

quarta-feira, maio 30, 2007

terça-feira, abril 24, 2007

25 de ABRIL SEMPRE (apesar dos pesares)



GRÂNDOLA VILA MORENA

Grândola, vila morena
Terra da fraternidade
O povo é quem mais ordena
Dentro de ti, ó cidade

Dentro de ti, ó cidade
O povo é quem mais ordena
Terra da fraternidade
Grândola, vila morena

Em cada esquina um amigo
Em cada rosto igualdade
Grândola, vila morena
Terra da fraternidade

Terra da fraternidade
Grândola, vila morena
Em cada rosto igualdade
O povo é quem mais ordena

À sombra duma azinheira
Que já não sabia a idade
Jurei ter por companheira
Grândola a tua vontade

Grândola a tua vontade
Jurei ter por companheira
À sombra duma azinheira
Que já não sabia a idade


José Afonso* (in "Cantigas do Maio", Orfeu, 1971; reed. Movieplay, 1987)

terça-feira, abril 17, 2007

Orla Marítima


O tempo das suaves raparigas

é junto ao mar ao longo da avenida

ao sol dos solitários dias de Dezembro

Tudo ali pára como nas fotografias

É a tarde de Agosto o rio a música o teu rosto

alegre e jovem hoje ainda quando tudo ia mudar

És tu surges de branco pela rua antigamente

noite iluminada noite de nuvens ó melhor mulher

(E nos Alpes o cansaço humanista canta alegremente)

«Mudança possui tudo?» Nada muda

nem sequer o cultor dos sistemáticos cuidados

levanta a dobra da tragédia nestas brancas horas

Deus anda à beira de água calça arregaçada

como um homem se deita como um homem se levanta

Somos crianças feitas para grandes férias

pássaros pedradas de calor

atiradas ao frio em redor

pássaros compêndios de vida

e morte resumida agasalhada em asas

Ali fica o retrato destes dias

gestos e pensamentos tudo fixo

Manhã dos outros não nossa manhã

pagão solar de uma alegria calma

De terra vem a água e da água a alma

o tempo é a maré que leva e traz

o mar às praias onde eternamente somos

Sabemos agora em que medida merecemos a vida.


Ruy Belo, in "Homem de Palavra(s)": 1970

quarta-feira, março 28, 2007

convite

a todos os que por aqui passarem deixo o convite.
Sem vós esta é uma "missa" que não pode ser oficiada.
A poesia é comunicação aberta e pura entre o poeta - através das palavras que expressam sentires - nós, e os outros.
Estaremos à vossa espera:sábado, 31 do corrente pelas 21h30,no Salão Nobre da Junta de Freguesia de S. Mamede de Infesta,para participarem na apresentação do1º volume da ANTOLOGIA de poesia, DezSeteiniciativa da EDIUM EDITORES


O nome deriva do facto de a ANTOLOGIA ir colectar poemas de sete poetas de cada uma das 10 freguesias do Concelho de Matosinhos.Neste volume, para quem anda na blogosfera, participam a Maria Mamede, esta que vos fala e o António Durval.
Acrescem, de fora deste espaço, Maria José Rocha, Teresa Gonçalves e Vitor Carvalhais.
Por último destaco o meu amigo Daniel Gaspar, poeta e auto-didacta, falecido.Os poetas lerão dois dos poemas constantes da mesma e contamos com a presença de um grande"diseur" - o Amilcar, bem conhecido dos amantes da poesia.Intervalando os poetas, o Carlos Andrade encantará com a voz a e viola.Esperamos por vós.Estas acções não têm sentido sem a presença dos amigos.

Mesmo daqueles que só conhecemos por estes caminhos e encruzilhadas.

P.S - agradeço divulgação.

quinta-feira, fevereiro 08, 2007

dizem

que sempre rebenta do lado do mais fraco.
Talvez!
Mas o que é: "ser mais fraco?" Ou "quem é mais fraco"?
Inquiro-me se por vezes, nas relações humanas e sociais, esse tal "rebentar" não ocorre do lado do mais forte, do que não precisa teimar nem impor para ser seguro de si e pretende antes conciliar e desenvolver espaços de equilíbrio e harmonia.

Diz-me de tua justiça.

sábado, janeiro 27, 2007

SONHO OU REALIDADE?


Há um sonho que me habita.

Habita-me desde que de mim tomei conhecimento e consciência.
É um sonho diferente dos outros.

Mais do que um sonho parece memória em mim inscrita que se expressa numa vontade, numa ânsia, numa fome, sempre que estou frente ao oceano.

E as imagens correm como que vividas.

Vejo-me. Largando as roupas, mergulhando e seguindo sempre as profundas águas e correntes como qualquer ser marinho.

Sinto, vivo por dentro, uma consciência de “ser” golfinho e de assim poder agir, que, de tão forte, chega a ser compulsiva na vontade de a testar.

Há quem me chame ORCA e diga que a minha pele, quando do mar saio, brilha e cintila ao sol como se constituída por minúsculas escamas.

Memórias ou possibilidade?

quinta-feira, dezembro 21, 2006

para vós, Como eu, caminhantes


NOTA - ao fazer a montagem (1ª) perderam-se as palavras: «OU, BONS FERIADOS», destinadas estas, como é óbvio, a todas/os os que não festejam o Natal seja qual for a razão. E há muitas.