
vidrados -
estão? são? -
os olhos
que nos olham.
nos fitam.
reflectidos nos vidros
dos espelhos,
das montras,
das janelas,
dos carros,
são tão vidrados,
sem vida,
quanto eles.


Transcrevo as palavras da autora. Melhor do que eu o faria, dizem:


e há esta tensão constante...
não é ambivalência.
é mais dicotomia....
vontade de ir e de ficar.
de partir.
sem rumo, ou rumos.
partir só por ir...
há tanto mundo para andar,
tantas gentes, falas, cores, odores,
modos de ser e estar...
é tão vário o mundo....
partir nas brisas. com as brisas....
por dentro delas navegar mundo.
partir sem destino
deixar-se levar
pelo novo mistério
que se levanta a cada movimento.
mistério que é
partir e seguir caminhos inesperados
porque nenhum é esperado,
procurado...
caminhos que se levantam debaixo
dos pés. que surgem
nas curvas e nas esquinas,
sejam bicudas, rombas ou arredondadas.
nos olhares,
na brisa que nos interpela.
minha alma é vagabunda.
nómada.
sem me dar conta ancorei-a.