Há um sonho que me habita.
Habita-me desde que de mim tomei conhecimento e consciência.
É um sonho diferente dos outros.
Mais do que um sonho parece memória em mim inscrita que se expressa numa vontade, numa ânsia, numa fome, sempre que estou frente ao oceano.
E as imagens correm como que vividas.
Vejo-me. Largando as roupas, mergulhando e seguindo sempre as profundas águas e correntes como qualquer ser marinho.
Sinto, vivo por dentro, uma consciência de “ser” golfinho e de assim poder agir, que, de tão forte, chega a ser compulsiva na vontade de a testar.
Há quem me chame ORCA e diga que a minha pele, quando do mar saio, brilha e cintila ao sol como se constituída por minúsculas escamas.
Memórias ou possibilidade?