segunda-feira, outubro 31, 2005

É só por este rosto de selvagem formosura


É só por este rosto de selvagem formosura
que eu tento construir a casa respirada
ao rumor das pálpebras e na leve matéria
que se liberta da noite e dos joelhos da terra
A nudez pertence-nos como um fruto entre as folhas
e no círculo onde a luz é mais pura estão as redondas
dunas
Uma lâmpada de pedra contém, toda a sabedoria do
Opaco
Ergues o peito aéreo e nos teus artelhos gira a graciosa
roda
A ferida recolhe o orvalho da transparente presença
Lentamente a pluma ergue-se com o torso leve e os
reflexos da água
És a visitadora que vagarosa germina com a lenta
frescura
No tumulto das palavras insinuas o mistério das árvores
e com a rosa dos cabelos perfumas a aridez do poema
Deixas cair as vestes numa suave violência
e o segredo espalha-se em mil sílabas aéreas.


ROSA, António Ramos (1992) AS ARMAS IMPRECISAS. Porto: edições Afrontamento (9)

sábado, outubro 29, 2005

Sábado é dia de...

trabalhando.bmp
colaborar no ORGIA POLÍTICA e já deixei o meu contributo.
Se puderem e...quiserem passem por lá.

Bom fim-de-semana.

quinta-feira, outubro 27, 2005

Uma forma de olhar...

E tu, que dizes?
Deixa o teu comentário sobre este modo de olhar a vida!

terça-feira, outubro 25, 2005

Para rir


No escritório:- Conheço uma maneira de conseguir uns dias de folga!
- diz o empregado à sua colega loira.
- E como é que vais fazer isso?
- diz a loira.
- Vou demonstrar.
Nisto, ele sobe pela viga, e pendurou-se de cabeça para baixono tecto.

Nesse momento o chefe entrou, viu o empregado pendurado notecto e perguntou:
- Que diabo você está a fazer aí?
- Sou uma lâmpada.
- respondeu o empregado.
- Hummm...acho que você precisa de uns dias de folga.
Vá para casa!
Ouvindo isto, o homem desceu da viga e dirigiu-se para a porta.

A Loira preparou-se imediatamente para sair também.
O chefe puxou-a pelo braço e perguntou-lhe:
- Onde você pensa que vai?
- Eu vou pra casa!
Não consigo trabalhar às escuras!!!...

segunda-feira, outubro 24, 2005

Factos avulsos



1. Há anos, quando o Dr. Cavaco Silva era 1º Ministro, após visita a uma suinicultura, à saída da mesma, interpelado pelos jornalistas, Vi e OUVI, na TV, em directo, o seguinte: “acabei de visitar uma porcaria...”

2. O senhor tão pouco sabia quantos cantos compõem os Lusíadas.
Terá tal facto menos gravidade do que Santana Lopes e os famosos violinos de Chopin?

Entrevistado no dia seguinte à declaração de candidatura à presidência começou a falar como P.R, mais adiante dando pelo grave lapso (ai o que Freud ia delirar) lá emendou a mão e passou a dizer: “um candidato a presidente!”! Para mim o senhor julga-se O Salvador da Pátria. O Vindo dos nevoeiros....O círculo que o rodeia alimenta-lhe, por certo, tal sentir. É um pouco o mesmo que alimentar um burro a pão-de-ló. O ego cresce.

Como primeiro-ministro penso que funcionou mais como um contabilista do que outra coisa...fez coisas boas? Pudera, tanto tempo não dá só para fazer disparates...

3. Ainda nesta entrevista referiu-se à Assembleia Nacional....foge-lhe a boca...

4. Esforçou-se para assegurar aos portugueses que não irá liderar nenhum golpe constitucional contra o actual regime presidencial definido constitucionalmente. Pois a esse propósito o artigo de um seu apoiante, saído na semana anterior, pusera o país em polvorosa. Por mim penso que o artigo tem mais a ver com a personalidade dele do que a forma como o regime presidencial está actualmente definido. Ao primeiro balançar de instabilidade (e são tantos) lá voltariam aqueles princípios e a tentação! Vade retro....

5. O senhor Alberto, que mora num jardim, ainda há coisa de um ano (congresso do PSD), desaforadamente dizia ao senhor Silva (leia-se Cavaco) que não era ninguém e nada sabia. Agora desfaz-se em elogios.

Ah, como eles divertiriam o país se tivessem só o papel de bobos em vez do de políticos....

6.A Constituição da República Portuguesa define como órgãos de soberania:
O Presidente da República;
A Assembleia da República:
O Governo e os
Tribunais.

Confesso que na minha cabeça custa a entrar o facto de um ÓRGÃO DE SOBERANIA FAZER GREVE? E se os outros três, ou pelo menos dois deles decidem fazer greve também? De certeza que entramos (mais uma vez, no Guiness Book).


Alguém me explica como pode um órgão de soberania fazer greve? O que a legitima?

P.S - este texto foi postado, no passado dia 22, no
Orgia Política





sábado, outubro 22, 2005

Olá pai


Hoje passa o aniversário de nascimento de meu pai.
Há décadas que partiu.
Tanta coisa que gostaria de lhe dizer e que a vida não nos deu tempo....
São tantas as coisas que lhe queria agradecer....
Tanta coisa por dizer, para dizer....
Digo-as. Em silêncio, da minha alma para a dele.
De tanto que tenho que agradecer destaco os valores éticos e a frontalidade.
Agradeço-lhe ainda ter sido meu pai. Ter nascido dele e de minha mãe. Nunca quis nem quereria ter tido outros pais.

Obrigada por tudo o que me deste, pai.

quinta-feira, outubro 20, 2005

Lição das coisas


O braço triste das coisas que não mudam,
o seu silvo na noite ou seu suspiro,
a boca desas coisas é sinistra,
suave todavia a sua sombra.

Essas coisas são nossas e superam-nos,
passam além de nós por declives,
calendários, filhos, netos, passatempos.

Essas coisas são doces ou simulam
presençaspouco atrozes. Substituem-se
mas nem por isso fogem. São supérfluas
ou asquerosamente serviçais.

Sucedem-se essascoisas em esconsos
espaços e soturnos sítios habitados.
Movem-nos por imutáveis.
Seráficas e cínicas, vigiam-nos.

Somos nós, muitas vezes, essas coisas.

NAVARRO; António Rebordão (2005). LONGÍNQUAS ROMÃS e alguns animais humildes. ANTOLOGIA. Selecção e prefácio de fancisco Duarte Mangas. Porto: ASA (37)

terça-feira, outubro 18, 2005

É um lugar ao sul

É um lugar ao sul.
no corpo
há sempre um lugar
ao sul.
*
É um lugar de luz quente
onde a treva é intensa
para permitir à luz ofuscá-la,
erradicá-la e brilhar viva num
clarão
que jorra e se alastra ao corpo
todo
ficando todo ele a sul de nós mesmos,
da sombra,
do frio, do nevoeiro.
*
A coberto da noite.
*
É um lugar ao sul.
Intenso.
Com um sol de deserto
irradiando luz
contra alvas paredes
de cal.
brancas como a luz ofuscante
que ilumina o mais secreto
recanto do nosso
corpo. Ao sul.
*
Há sempre, no corpo, um lugar
ao sul.
*
Claro. Luminoso.
Breve e intenso como clarão.
Um lugar secreto do corpo
que fala
de paixão.

Por TMara, in: O Luar da Espera (esgotado)