sexta-feira, novembro 21, 2008

a festa do nosso projecto colectivo "22 OLHARES SOBRE 12 PALAVRAS"

VENHAM FAZER A FESTA CONNOSCO.
Contamos ainda com os amigos:

- Estefânia Estevens - cantora
- Francisco José Lampreia - poeta (diseur)
- Carlos Andrade, voz e viola
que darão ainda mais alegria, cor e vida à nossa festa no colectivo.
Vem e traz outro amigo também...

sexta-feira, novembro 07, 2008

imagens de antigas máquinas de escrever e poema de Giuseppe Ghiaroni


A Máquina de Escrever

Mãe, se eu morrer de um repentino mal,
vende meus bens a bem dos meus credores:
a fantasia de festivas cores
que usei no derradeiro Carnaval.

Vende esse rádio que ganhei de prêmio
por um concurso num jornal do povo,
e aquele terno novo, ou quase novo,
com poucas manchas de café boêmio.

Vende também meus óculos antigos
que me davam uns ares inocentes.
Já não precisarei de duas lentes
para enxergar os corações amigos.

Vende , além das gravatas, do chapéu,
meus sapatos rangentes. Sem ruído
é mais provável que eu alcance o Céu
e logre penetrar despercebido.

Vende meu dente de ouro. O Paraíso
requer apenas a expressão do olhar.
Já não precisarei do meu sorriso
para um outro sorriso me enganar.

Vende meus olhos a um brechó qualquer
que os guarde numa loja poeirenta,
reluzindo na sombra pardacenta,
refletindo um semblante de mulher.

Vende tudo, ao findar a minha sorte,
libertando minha alma pensativa
para ninguém chorar a minha morte
sem realmente desejar que eu viva.

Pode vender meu próprio leito e roupa
para pagar àqueles a quem devo.
Sim, vende tudo, minha mãe, mas poupa
esta caduca máquina em que escrevo.

Mas poupa a minha amiga de horas mortas,
de teclas bambas, tique-taque incerto.
De ano em ano, manda-a ao conserto
e unta de azeite as suas peças tortas.

Vende todas as grandes pequenezas
que eram meu humílimo tesouro,
mas não! ainda que ofereçam ouro,
não venda o meu filtro de tristezas!

Quanta vez esta máquina afugenta
meus fantasmas da dúvida e do mal,
ela que é minha rude ferramenta,
o meu doce instrumento musical.

Bate rangendo, numa espécie de asma,
mas cada vez que bate é um grão de trigo.
Quando eu morrer, quem a levar consigo
há de levar consigo o meu fantasma.

Pois será para ela uma tortura
sentir nas bambas teclas solitárias
um bando de dez unhas usurárias
a datilografar uma fatura.

Deixa-a morrer também quando eu morrer;
deixa-a calar numa quietude extrema,
à espera do meu último poema
que as palavras não dão para fazer.

Conserva-a, minha mãe, no velho lar,
conservando os meus íntimos instantes,
e, nas noites de lua, não te espantes
quando as teclas baterem devagar.

poeta brasileiro Giuseppe Ghiaroni ( 22- 02 - 1919)

sábado, novembro 01, 2008

+ textos feitos no âmbito do 7º Jogo das 12 Palavras


sem capitulação _ na luz ou na escuridão _ sem esforço dado tudo estar em harmonia e perfeita sintonia, sou bailarino. no entanto sei como é falaz este equilíbrio por degenerescência do corpo e os galanteios não me encandeiam. O gesto é o meu espaço de liberdade, a voz do meu sentimento.

~~~~~'''''~~~~~~


com esforço a luz vence a escuridão. em liberdade e capitulação esta ensaia falaz galanteio ondeando no ar. bailarino, gesto ausente de sentimento, sintonia ou harmonia perdido mal esboçado.

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Embora falaz é com esforço que se dá a capitulação da luz perante a escuridão. com gestos de bailarina esboça breve galanteio em homenagem à sintonia e harmonia da cedência mútua, na expressão de cada sentimento em liberdade.

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luz e escuridão estão em sintonia. cada uma esboça elegantes gestos de bailarino em galanteio mútuo na hora da capitulação em total harmonia na liberdade que não é esforço nem falaz expressão do sentimento que as anima. e assim sempre harmonicamente a noite sucede ao dia.

~~~~~'''''~~~~~


Podem ler mais textos, de outros blogers e meus no Eremitério.

segunda-feira, outubro 27, 2008

Pensamento

«O progresso é a realização das utopias. (Oscar Wilde)»

Diz de tua justiça: concordas ou não? E porquê?

sexta-feira, outubro 10, 2008

Olá ;)) já tenho uma família

Olá ;))
Sou uma gatinha e tenho uma família liiiiinda.
A família de acolhimento não me deu nome - achavam que lhes não competia - mas a nova família deu-me um nome lindo: JULIETA.

Posted by Picasa

Obrigada a todos pelo carinho e atenção.

quinta-feira, outubro 09, 2008

segunda-feira, outubro 06, 2008

degrau erodido


urgia afastar-me do avassalador tom azul da água amortecido pela sombra do casulo em que abrigara o corpo como se numa caixa onde, criança e conselheiro de mim pudesse vogar no céu. Comungar de toda e qualquer conversa. lambuzar-me de chocolate. curar a ferida no cotovelo e voltar, imaculadamente limpo, com a luminosa brancura da cal.
o distanciamento ao degrau erodido pelo uso, apesar da exponente e envolvente luminosidade fez emergir, como se iluminada por intenso farol a fusão das coloridas flores, imensa tela a tudo inundar de paz eliminando a possível existência de um inferno onde o ser se enterrasse no pantanoso lodo da loucura – fina linha que, sem licença, separa o mundo das trevas daquele onde a luz solar e o luar pontificam.

em que todo o movimento tem método tal suave vibração do despontar da manhã, ou do ritmado rolar do mar a marcar o compasso que nos separa da inexorável morte. linha ______ ______ __________vibração ~~~~~~~~~~ e compasso /\/\/\/\ --- /\/\/\/\ que nos torna nefelibatas nem que por fugazes momentos. nos quais, sem fuga ou ostracismo deliberado, nos recolhemos ao mais íntimo do ser como se gota de orvalho fossemos e assim, sem qualquer obstrução, viajássemos dentro de nós ou entre países sem fronteiras ou ainda entre o país real e o imaginário. leve pena no vento do pensamento. corpo e alma sem raízes luminosa rosácea a reflectir a luz do sol e, sem sobressalto, projectar a sombra da sua silhueta numa ténue tapeçaria onde nunca há tempestades.
viagem de uma vida sem vulnerabilidade onde toda a variável é vertical.

\ / suave e odorífero vapor evolando-se sem necessidade de nada vasculhar.


in, 6º Jogo das 12 Palavras. Aqui poderás ler muitos outros textos

segunda-feira, setembro 15, 2008

Blogagem colectiva por Flávia

Blogagem Colectiva para Flávia em 9/Set/2008
A Odele, mãe de Flavia, que relata a vida de sua filha que está em coma (AQUI)
convocou uma mobilização para hoje, dia 15/09. O caso está para ser julgado em Brasília